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Anelis Assumpção (2014 – Anelis e os Amigos Imaginários)

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ANELIS ASSUMPÇÃO e os AMIGOS IMAGINÁRIOS
Momento de dispersão. Falta de atenção contemporânea. Tu-do-frag-men-ta-do.

É nesse retrato do agora que Anelis Assumpção aparece com disco novo. Seu segundo disco. Depois de gerar um filho e digerir mais da vida, ela manda na lata “Cê tá com tempo? Eu tô aqui pra jogar conversa dentro”. E aí você desfragmenta de imediato. No trânsito, na rede, no corre ou no mole. Como não? Quem pede é uma mulher com dicção clara e um timbre que suaviza o que tá dentro e o que tá fora. Cremoso. Tô dentro, Anelis! E assim o disco começa, com essa sedução direta. Um convite na reta. Vamos nessa. Me leva! Tô com tempo. Aceito. “Eu gosto assim”, diz uma das músicas. Como é bom começar gostando e seguir com vontade de gostar.

Quando você escuta um disco por uns dias ele entra na sua língua, você aprende a cantar junto, deixando as letras entrarem um pouco ou muito na sua história. Todo mundo vira intérprete quando engole um disco. “Anelis e os Amigos Imaginários” é um disco desses de se engolir. De se viver e desfrutar cada pedaço-trecho, cada faixa-fatia. E inteiro.

O trabalho foi produzido pela cantora e pelos músicos arretados Bruno Buarque, Cris Scabello, MAU e Zé Nigro. Uma produção coletiva e certeira que é sentida sutilmente na assinatura individual de cada um.
Não pra menos, eles fazem parte da banda que acompanha Anelis desde o começo de sua carreira solo e que agora dá nome ao disco: ‘Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários’.
Nome encontrado pra banda numa coxia da vida, aquele momento único. Pimba!
Além dos rapazes, a banda conta com a guitarrista Lelena Anhaia e o trombonista Edy Trombone no bando. Essa liga coesa entre pessoas que tem intimidade e compatibilidade sonora e gentileza poética para transitar entre os versos e frases sugeridas por Anelis, fazem a diferença absoluta para a sonoridade do disco. Eles se completam. Anelis e seu bando trocam fluídos o a cada frame canção. E se divertem. Um disco de bando. Um som de banda.
Quase que ao vivo, possibilidade para mestres e íntimos. Neste caso. Temos os dois.
Está tudo nítido, baixo, bateria, guitarras, teclados, efeitos, voz. Mérito também do nova-iorquino Victor Rice, produtor e mestre em sonoridades jamaicanas, responsável pela elegante mixagem das músicas.
Afinidade já sentida em Not Falling, single produzido e lançado em 2012 por Anelis e os Amigos Imaginários ( na época a banda ainda não tinha este nome) e mixado pelo mestre Victor com direito a uma dub version no lado B do compacto. Um luxo!
Aliás, todas as faixas de ‘Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários’, contam com versões dub que ‘um dia serão lançadas’, o que nos dá a deliciosa sensação de que poderemos desfrutar ainda mais dessa brincadeira de bando sem fim.

Segura, suave, forte, Anelis canta o amor, a individualidade, o tempo e os nós. É spiritual but not religious. Faz love songs unissex. São onze músicas e um poema falado. A voz contralto surpreende em agudos sutis, sussurros roucos e graves firmes. Impossível não ficar seduzida pelo seu canto. Das canções, três são em parceria. “Devaneios”, com o baiano swingado Russo Passapusso é uma música para se dançar. Deixar-se levar pelo baixo, programações + Russo e Anelis. Nela, a filha de Itamar Assumpção, morador da Penha e criador de orquídeas, canta “na minha casa no cume da Lapa por entre as camélias” e você pode sentir sua origem. Um pouco no som e muito no jardim de Anelis. “Declaração” junta a cantora com Céu e Kiko Dinucci, que recita a letra e toca uma guitarra al dente. A música é a cara dos três, fala dos “impostos do coração” (no sentido de tributos) e é completada por Rodrigo Campos na guitarra e no coro. E por falar em entrosamento, o rock “Minutinho”, feita com os irmãos Alzira E. e Jerry Espíndola e o poeta Arruda, confirma a liga entre entre eles que são parceiros frequentes (o primeiro disco traz duas parcerias com os irmãos Espíndola).

As outras faixas são só de Anelis. Todas e inteiras. “Cê tá com tempo” abre o disco no atemporal e no meio dela Cris Scabello manda um riff de guitarra que te faz querer seguir em frente. Mais ainda. Em “Eu gosto assim” Anelis diz que “pra me sacar não tem segredo”. Balada com tempero latino e congas de Maurício Badé. Gostosa. “Mau Juízo” tem toques de dub classudo. O disco tem a força e a graça dos arranjos de metais feitos por Anelis, Zé Nigro e Edy Trombone. A balada roots “Inconcluso” é cantada deliciosamente em castellano y habla de um homem inacabado, em processo. Assim como todos os homens que existem dentro da gente. Em “Por que” Anelis acerta dentro. Bate no passado e no futuro e você acha que a música foi feita pra você. “Toc toc toc” traz a conclusão de que estaremos sempre no risco. Só que na pista. Em “Song to Rosa” Anelis recebe as amigas Céu e Thalma de Freitas, suas parceiras no trio Negresko Sis. Juntas, tecem melodias que ficam no “repeat” da cabeça (a música recebeu o olhar da videoartista/cantautora Ava Rocha e está disponível no Youtube no canal de Anelis). “Deuso Deusa” é a última música do disco. Ritualiza o fim e propõe um começo. Orikí mantra canto reza som.

Anelis está a vontade, cheia de bons amigos em sua soma. Basta conferir a pintura que o artista Paulo Ito criou para ser o cenário fantástico desse imaginário em movimento.
Todo disco merece ser ouvido no fone. Depois você leva ele pra sala, pro quarto, pra festa.
Aconselho-recomendo-peço-repito: Anelis.
E boa viagem.

Amor, Tulipa Ruiz

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DJ 440 (2014 – O Som Muito Incrementado da Terça do Vinil Vol.02)

O-som-muito-incrementado-vol-02Ano de 2007. Uma vitrolinha antiga, pouco mais de 30 discos, papo furado com os amigos e umas cervejas num conhecido bar de Olinda. O que sete anos atrás começou como uma brincadeira,  hoje é o famigerado projeto TERÇA DO VINIL, que aos poucos se tornou parte da cidade, programa tradicional de notívagos locais e Turistas das mais diversas localidades e nacionalidades. Tendo início em Olinda e atualmente ancorados em Recife, todas as noites de Terça do ano, clássicos da Música Brasileira, Raridades e Novidades no meio Fonográfico movimentam as noites da Veneza Brasileira.
Além de levar Música de alta qualidade aos ouvintes, a Terça do Vinil busca promover o acesso por parte dos públicos tradicionais e não-tradicionais à Cultura do Vinil, difundindo ritmos como samba, samba-rock, chorinho, guitarradas, carimbó, frevo, forró entre outros ritmos brasileiros. Hoje contando com um acervo de mais de 2.000 mil discos, entre eles títulos raros de Cartola,  Nelson Cavaquinho, Chico Buarque, Tropicalistas (Caetano Veloso, Gal Costa, Tom Zé e Gil), Tim Maia, Noriel Vilela, Jackson do Pandeiro e também lançamentos da cena musical Pernambucana como Chico Science e Nação Zumbi, Ave Sangria, Orquestra Contemporânea de Olinda, Luiz Gonzaga, Nelson Ferreira, Claudionor Germano e Capiba.

O público das Terças reúne faixas etárias das mais variadas, entre 18 e 50 anos. Boa parte do público de Músicos, Artistas, Jornalistas, Designers, Colecionadores de discose Universitários. Em 2013 foi o projeto foi eleito e premiado pela revista VEJA como melhor festa durante a semana  no Recife (Melhores da Cidade 2013/2014). A TERÇA DO VINIL foi idealizada e é executada pelo DJ e Produtor Juniani Marzani, mais conhecido como DJ 440. Considerado um dos Djs mais atuantes do Estado de Pernambuco, sendo reconhecido por suas performances e inúmeros Projetos de Resgate da Música Popular Brasileira e difusão de novos artistas da cena local e nacional. O mesmo já percorreu diversos Eventos e Festivais de Música em cidades do Brasil e do mundo, como Nova York, São Paulo, Brasília, Goiás, Amazonas, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.

O projeto possibilita ainda, o intercâmbio musical, recebendo regularmente variados convidados, entre DJs locais, nacionais e internacionais, colecionadores e artistas amantes das bolachas preta, o que faz cada noite do projeto ser única.

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Fim de Feira (2014 – De todo jeito a gente apanha)

112444811_1GG1 De Todo Jeito a Gente Apanha , segundo disco do Fim de Feira, é soma de influências de seus integrantes. O repertório é uma feira livre, onde há de um tudo. A riqueza rítmica de pernambuco, é explorada com primor pela banda. O disco conta com participações especiais de Elba Ramalho na balada “Canário Miudinho”, o veterano Silvério Pessoa no ligeiro “Côco Veloz”, a jovem revelação Gabi na faixa “De Onde Vem o Sossego” e o rapper Zé Brown, da pioneira banda de rap Faces do Subúrbio no suingue de protesto “Preso 137”.

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Jorge Cabeleira e o dia que seremos todos inúteis (2014 – Trazendo Luzes Eternas)

FolderVinte anos atrás, no auge do manguebat, surgia o grupo com o nome mais estranho da cena: Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos todos Inúteis. Apareceu do nada, num festival promovido pelo Arte Viva, de Lourdes Rossiter, realizado no pátio de São Pedro.  O Jorge Cabeleira era o pessoal de Os Mordomos com um nome criado na hora da inscrição. Concorreram no festival como Os Mordomos e como Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos todos Inúteis.

A banda era formada por músicos com uma média de 18 anos de idade. O sucesso local, atraiu a atenção das gravadoras do Sudeste, e a banda foi contratada pela Sony Music. O primeiro CD, Jorge Cabeleira e O Dia Em que Seremos Todos Inúteis, foi lançado em 1994. O segundo Alugam-se asas para o carnaval (independente), em 2001.

Duas décadas depois, a Jorge Cabeleira volta aos palcos, e ao disco. Lança o CDTrazendo luzes eternas, reunindo faixas dos dois álbuns do grupo, mais duas inéditas pinçadas do fundo do baú, Aboio pra vida e Apreciação (ambas de Dirceu Melo). A primeira em homenagem ao baterista da formação original Davi Santiago, falecido no ano passado, num estúpido acidente, em Setúbal,com um fio da eletricidade pública solto na calçada.

Texto: JC Online

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Memórias de um Caramujo (2014 – Cheio de Gente)

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Cheio de Gente

por Marcelo Segreto

Nas costas de um caramujo, uma casa imensa. Assim falava o compositor Maurício Pereira sobre o primeiro CD do grupo que lança agora o seu segundo, Cheio de gente. Pois a casa ganhou mais um andar. Imenso também. Pelos arranjos e sonoridades muito trabalhadas, pelas interpretações maduras e, sobretudo, pela densidade e coerência do conjunto das canções que formam o disco. Paredes sólidas. Fundação profunda. Tão profundo como o convite que fazem ao ouvinte na canção que abre o álbum, Ávida Dúvida. Convite para seguir junto cantando em busca de algo que não se sabe. Dúvida do quê? De algo certamente vivo ou profundo como a vida? Não é a toa que essa palavra aparece duas vezes no título. Ou querem dizer que a vida é com certeza dúvida? Perguntas sem respostas. Impasse. Mudez. O esconderijo do caramujo. “Pra não ter que enfrentar”, como ouvimos em Caminho de volta. O impasse está no passado, que pesa sofrível sobre as costas. E no presente, cheio de obstáculos. Obstruído.

Claro, o futuro também está lá, e cheio de problemas engraçados, como na fantástica Nina. O pai que sonha acordado imaginando o futuro da filha. Para fazê-la dormir, é ele quem sonha. E o passado nem sempre é hostil, como na emocionante Rio. Aqui, novamente a dúvida. A dúvida de um homem na ponte, na travessia, entre a vida e a morte, entre o passado e o presente. A dúvida, o impasse, a indecisão. Assim como a personagem de Guimarães Rosa que não consegue assumir o lugar do pai na canoa em A terceira margem do rio. É a dúvida existencial. No presente, o sofrimento insistente do homem. Insistente como a frase rítmica do charango. Eis que o passado vem como uma torrente inundando os sentidos. Um refrão, uma enchente que leva o ouvinte. Que traz a tona tudo o que estava no fundo. Da mesma maneira como a madeleine tomou os sentidos do narrador em Em busca do Tempo Perdidode Marcel Proust. A presentificação do passado. De repente o rio frio do presente está cheio de gente. De repente a música esquenta.

Pois o presente é mesmo de interdição, de fechamento. Os muros e a tribo calada em Tribo dos homens. A melodia inicial de Delírios de chuva, que se repete, sem saída, aprisionada como a letra. Preso aqui. Parado aqui. A marginal inundada. Tudo imobilizado. Assim como o eu-lírico de O sino. Sozinho na cela. O presente hostil e o incômodo do passado. O peso do passado pode atacar o sujeito na forma de livros e pó. Mas também na badalada, lá de longe, de um velho sino. O sujeito se enforca, mas o sino nunca se cala, pois a humanidade continua. Homem ou humanidade? Em Samdança, o enforcado é um homem? Ou é o ser humano? Qual seu crime hediondo? Qual o tamanho do homem? Qual o sentido da vida? EmPotosi. A origem da vida? A origem da civilização? As respostas podem vir pela contramão. “Meu corpo é a terra do chão”. O corpo é onde o chão pisa, como sugere Meu corpo é. A origem do universo está no final do disco. Cosmogonia é a última faixa. O início no fim. O que nos traz de volta para o começo, para a dúvida ávida. É triste e engraçado. O amor desajustado. É o desajuste o sentido da vida? É o que faz o mundo andar? Uma profusão de indagações. Mas todas elas ficam sempre sem resposta. Afinal, ela é a própria pergunta.

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Zé Vito (2013 – Zé Vito)

capa_ze_vitoNascido em Ribeirão Preto, Zé Vito cresceu tocando guitarra nas bandas da sua cidade, e logo viu que o caminho a seguir seria bem longo e distante. Aos 19 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro em busca desse caminho, e lá conheceu muitos músicos e artistas da cena carioca.

Junto com os amigos Matheus Silva e Leandro Joaquim, começou a compor no ano de 2006 e logo montou sua primeira banda na cidade, o Sobrado 112, banda que lançou três discos e abriu as portas para Zé Vito se aprimorar e continuar na busca do seu som.

Em seguida veio a Abayomy Afrobeat Orquestra, que consolidou o trabalho que vinha sendo feito e deu mais força ainda para as suas ideias. Trabalhou com os produtores Bid, Buguinha Dub, André Abujamra, dividiu palco com BNegão, Otto, Marku Ribas, Tony Allen, Leitieres Leite, Chico Cesar, Rita Beneditto, acompanhou o lendário guitarrista nigeriano Oghene Kologbo, e hoje também acompanha o compositor Jards Macalé, que viaja pelo Brasil mostrando seus 40 anos de carreira.

Zé Vito lança seu primeiro disco “Já Carregou”, com produção assinada pelo próprio, Bruno Giorgi e Pedro Costa. O disco traz um som que vai do funk ao blues e foi gravado no Rio no ano de 2013.

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[Agende-se] Vinil em Brasa em Recife

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Uma noite de polir a fivela, com o DJ 440 nos toca discos, mandando muito forró autêntico, de duplo sentido, de rabeca, xotes, baião, samba e outras brasilidades.

- Música da boa!
- Drinks Especiais
- Local Climatizado
- Fácil Acesso (pela rua da Aurora ou pela Av.Cruz Cabugá)
- Segurança

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ForAll Vinil em Brasa
Dia 14 de junho – 23hs
Galeria Café Castro Alves
Rua do Lima, 280 – Ao lado da TV Jornal / Antigo Espaço Muda
Entrada: R$ 15,00 (na porta)

Informações: 9751-3503

O Brasil que o Brasil não conhece!