Todos os artigos de Juniani

Elza Sobre (2018 – Deus é Mulher)

Elza soares, 87 anos, atinge a marca de 81 álbuns lançados com este impressionante Deus É Mulher. Contando com a presença dos músicos Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Romulo Fróes e Kiko Dinucci na condução dos instrumentais e arranjos, bem como o produtor Guilherme Castrup, Elza repete o time vencedor do trabalho anterior, A Mulher do Fim do Mundo, lançado há três anos. Com obras de compositores que representam uma renovação efetiva da música brasileira urbana e pensadora, trazendo gente como Tulipa Ruiz, Alice Coutinho, o alem de composições de Froes, Dinucci e Campos, entre outros, o disco é, além de uma continuação natural do antecessor, uma ampliação de seu espectro lírico, uma reafirmação de postura. Além, claro, da manutenção da eficaz argamassa instrumental que fez Elza renascer com autoridade e credibilidade, deixando de ser uma cantora-intérprete de sambas e standards da música brasileira e tornando-se uma espécie de diva-sábia do tempo, uma entidade cotidiana, atemporal e solene.

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Vakinha DNA 2018

O DNA – Discoteca Nacional, é um site sem fins lucrativos, que desde 2008 proporciona download de música brasileira independente e discografias de grandes artistas brasileiros.

Agradecemos a todos que em 2017 contribuíram para alcançarmos a meta e conseguimos pagar o servidor SERVHOST (Plano revenda1: R$ 60,00 mensais).

Contamos com a ajuda de vocês com qualquer valor, para que, em 2018 o site continue mostrando o Brasil que o Brasil desconhece.

Muito Obrigado!

Juniani Marzani – DJ 440
Criador e Editor de Conteúdo DNA

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Eddie (2018 – Mundo Engano)

Produzido por Pupillo Menezes, do Nação Zumbi, sétimo álbum do grupo recorda, em 10 faixas, época em que os integrantes olhavam para as festas com o sotaque cosmopo­lita dos anos 2000, característico da cultura urbana popular olindense. Nesse clima, de sonhar o passado para alcançar o futuro, encontram outros sons e possibilidades. “Esse trabalho está muito próximo da nos­sa identidade, mas, de alguma ma­neira, tentamos não repetir nossos êxitos anteriores. A gente quer sem­pre evoluir e renovar a nossa própria música”, ressalta o vocalista Fábio Trummer.

Entre as participações especiais, nomes que acrescentaram novas técnicas ao projeto. Entre eles, Or­questra de Frevo Henrique Dias, o Jorge Du Peixe, Tiné (backing vo­cal), Ganga Barreto (backing vocal), Martin Mendonça (violões de aço), Guri Assis Brasil (violão de 12 cor­das), Everson Pessoa (violão de 7 cordas), Frederica Bourgeois (flau­ta), Nilson Amarante (trombone), Maurício Fleury (teclados) e pró­prio produtor, Pupillo, na bateria.

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Aíla (2016 – Em cada verso um contra-ataque)

A música do agora. Do urgente. Do necessário.

A música que, se não fosse ela, seria anacrônica.

“Em Cada Verso Um Contra-Ataque” – trabalho que a paraense Aíla lança pela Natura Musical, com apoio da Lei Semear – é o disco “do que precisa ser dito”. Por uma mulher. Que cresceu em uma periferia de Belém. E que vive no Brasil. No ano de 2016. E essa mulher, que é Aíla, resolveu que ia fazer um disco político. Da primeira à última faixa. Sem tréguas. E isso é foda.

“Mas é um disco político sem ser panfletário.”

Aí a gente pega esta frase repetida, rasga em mil pedaços e jura que nunca precisará repetir isso. Chega de adversativas, “político” mas, porém, contudo, todavia. Político e ponto. Político porque sim.

Aíla – que gravou agora suas primeiras composições – conta que no seu disco de estreia – “Trelelê”, de 2012 – falava muito de amor e fuleragem, no embalo do pop-tropical paraense. Mas havia uma outra Aíla e essa era ativista, “militante, essas doideiras”, criada na Terra Firme, bairro de Belém estigmatizado por seu cotidiano violento. Uma dos palcos, outra da ruas até que, do ano passado pra cá, ela começou a querer uma nova poesia. “Precisava falar do hoje. Existiam coisas que precisavam ser ditas.” Feminismo, assédio, racismo. Resistência, ocupações, amor livre. Esperança, desigualdades sociais, questões de gênero. E tal. Este disco é o encontro destas duas mulheres.

A primeira que veio foi “Rápido” – uma parceria sua com Roberta Carvalho. Um punk-rock que fala da velocidade do nosso tempo e também de retrocessos. Para produzir o disco, Aíla chamou Lucas Santtana. “Também é politicamente bem inquieto”, lembra. Juntos, foram selecionando um repertório que se encaixasse no conceito. Sem tirar o sotaque tropical da moça, veio chegando um dub, um reggae, um iê-iê-iê, novas levadas.

O disco é pop. Desses que dá vontade de dançar na sala. “Então eu danço, danço, danço. Mas não se engane. Em cada passo há um contra­-ataque”, diz a letra “Clã da pá virada”, música de Posada transformada em um rock que lembra algo das Mercenárias. A música funciona como um manifesto e um pé na porta. A lambada eletrônica delícia “Lesbigay” – composta em parceria com a saliente Dona Onete – fala de um lugar imaginário onde os amores podem ser livres.

“Será” é uma regravação de Siba em que versos como “será que ainda vai chegar o dia de se pagar até a respiração?” ganharam versão dub-reggae. “Tijolo” é mais uma de Posada – um dos nomes da nova geração que anda por aí dizendo o que precisa ser dito. Para falar de negritude, pediu uma música para Chico César. Foi nos bastidores de um show que ele fez para o Movimento Sem Terra. Saquem como nada parece fora do lugar nesta história. “Chico César sempre falou sobre negritude com muita ironia. Acho massa.” Em “Melanina”, um iê-iê-iê megadançante, ela provoca ao jogar na nossa cara que precisamos “urgentemente de um amiguinho de cor”. “E ainda tem uns teclados meio jazz da Etiópia, uns timbre bem loucos”, diz. “#Nãovoucalar” é parceria de Aíla com Felipe de Paula e Mariana Lemos. “Sempre que fui assediada na rua, reagi. Sou briguenta. E queria falar sobre assédio sexual, principalmente no metrô e no ônibus, na hora do rush.” A música, que fala sobre ser arrochada nasceu, vejam só, como um arrocha. Depois ganhou uma batida de funk (carioca) das antigas e ainda uma guitarra de Manoel Cordeiro.

 Quando chega o “O amor é cão”, a gente acha que a moça mudou de assunto, só por um momento. Mudou nada. Afinal, o amor “não esconde a cara, nem pede perdão. Em Uganda ou no Sudão”. Estamos falando sobre amor livre. E sobre países com severas leis que punem relações homossexuais com prisão ou até pena de morte. O brega de Paulo Monarco e Bruno Batista tem, de novo, a guitarra de Manoel Cordeiro. Para fechar o disco, “Você tem medo, por quê?”, de César Lacerda. “Queria fechar o disco com uma esperança. Falar sobre conexões. Despertar essa coragem dentro da gente”. Por motivos que só o capital explica, ficou de fora “Escola de Luta”. A versão para “Baile de Favela” que fala das ocupações das escolas secundaristas será lançada apenas na internet.

Tudo isso faz com que “Em Cada Verso Um Contra-Ataque” seja um disco contemporâneo. Estamos em um tempo em que precisamos ser políticos. Bora sair por aí dançando umas utopias.

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Rincon Sapiência (2017 – Galanga Livre)

Com a originalidade de suas composições, marcadas por influências das músicas africana, eletrônica, jamaicana e vertentes do rock, desde o ano 2000, o artista traduz em versos inteligentes e sagazes as experiências vividas nas ruas da periferia paulistana desde os anos 80. Abordando questões raciais e sociais no contexto da metrópole, Rincon Sapiência apresenta um rap com clima de positividade, sem prejuízo à postura crítica do discurso, resultado da sua notável fome de rima aliada à sua habilidade nata de jogar com as palavras. Versátil, ele também atua como beatmaker em seus próprios trabalhos.

A universalidade da música e dos temas abordados pelo repertório de Rincon favorecem o seu trânsito em outros círculos que não sejam necessariamente periféricos. Sua forte identidade artística, reforçada por um estilo original, também está presente nos clipes “Elegância”, “Transporte Público”, “Linhas de Soco”, “Profissão Perigo” e “Coisas de Brasil”. Como ator, Rincon contracenou com o ator Wagner Moura no filme “A Busca”, dirigido por Luciano Moura, seguida da participação no filme “Jonas”, dirigido por Lô Polliti, do qual também participaram os rappers Criolo e Karol Conka.

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Caê (2016 – A nave de Odé)

O que me salta aos ouvidos imediatamente neste segundo disco de Caê é sua maturidade e pleno domínio como arranjador, produtor, vocalista e instrumentista. Quantos músicos da sua geração são capazes de assumir tantas funções diferentes e alcançar um resultado tão conciso, polido, fluente, equilibrado e extremamente pop como este “A Nave de Odé”? Preste atenção nas linhas de guitarra e baixo, nas texturas de órgão e mellotron, nas levadas de violão, nas várias vozes dos coros e nos arranjos de sopro… Não é pouca coisa.

Caê mostra-se completamente à vontade ao optar pela combinação e recombinação de elementos rítmicos e melódicos ligados a gêneros brasileiros, jamaicanos e africanos muito diversos: fragmentos de ijexá e de samba de roda baiano, ares e brisas de reggae e dub, tramas de guitarras trazidas do highlife, levadas de afrobeat e de pop angolano, climas e timbres de trilha sonora e soul music encontram-se e desencontram-se com a canção brasileira de tendência minimalista e circular. Tudo alinhavado pela força da musicalidade nascida na África Ocidental e esparramada pelas Américas e pelo Caribe. E é justamente nos momentos mais marcantes do disco que estas linhas e fronteiras tendem a se apagar pra revelar algo fresco que tende a desafiar nomes e classificações.

Em seus arranjos, Caê equilibra com consciência e imaginação o silêncio e a densidade, a diversidade de timbres e texturas, a unidade e concisão da estrutura, tudo a serviço da fluência e clareza das canções, num resultado inegavelmente pop. É uma tapeçaria sutil e muito bem acabada que injeta balanço e vigor à sua personalidade musical já marcada pela doçura e leveza do seu trabalho de composição. Este contraponto entre o impulso visceral da dança e o ar tranquilo de suas canções é uma das belezas e virtudes do disco.

Diante de tudo isto, me pergunto: faixas como “O Caçador e a Flecha”, “Zambê”, “Tão Blue” e “Talismã” não merecem ser veiculadas nas maiores rádios do país? É só o jabá mesmo ou os ouvidos dos programadores estão fechados para uma música que ouse ser acessível e inventiva ao mesmo tempo? Que “A Nave de Odé” retorne ao mundo imenso de onde veio, com toda atenção que lhe é devida.

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Paulo Perdigão (2017 – Sonoras Batucadas)

Paulo Perdigão. Compositor e interprete de suas composições, ativista do samba. Paulo Perdigão nasceu no Rio de Janeiro em 03 de julho de 1953. Tem sua família raízes na Escola de Samba Unidos de São Carlos atual Estácio de Sá.
Com 08 anos de idade a família foi morar na Baixada Fluminense, onde tomou contato mais direto com o samba, em Mesquita antigo distrito de Nova Iguaçu. Na Escola de Samba Independente de Mesquita, quadra de chão batido no tempo em que se desfilava na antiga Praça 11. Em 1973 participou do festival de música FEMUB, organizado pelo Compositor, (Adelino Português, autor de vários sambas interpretado por Bezerra da Silva). Sua música não obteve classificação, para sua surpresa tornou se o hino na greve dos operários da Fiat em Xerém em 1979. Em 1974 é convidado a fazer parte da ala de compositores do G.R.B.C Unidos de Edson Passos, onde conviveu com grandes bambas da Baixada Fluminense, Romildo Bastos, Cabana, Bezerra da Silva, Adelzonilton, Moacir Bombeiro, Russo da Maloca, Adelson, Edson Show, Pastel, Aparecida, Gesse Formigão, Valério Mentirinha, Tieres Canedo, e tantos outros
Participou de outras escolas de samba, Unidos de Nilópolis, Leão de Nova Iguaçu, em 1989 assumiu a presidência da Unidos de Edson Passos, no grupo V dos blocos de enredo e leva a agremiação ao terceiro lugar.
Em 1992 em parceria com Tieres Canedo (Carnaval) e Vava da Ponte ganha à disputa de samba enredo, com tema “Um grito negro”. Participou do Movimento dos Compositores da Baixada Fluminense. Homenageado no CD de Bezerra da Silva. “Contra o verdadeiro canalha” na música Q.G do Samba
Em 1993 mudou-se para o Recife, e somente em 2000 volta a atuar no meio do samba com a formação do grupo Sambohêmios, grava um Demo com 08 sambas de sua autoria, participa de vários palcos carnaval Multicultural da cidade do Recife. Idealizador e um dos fundadores da Mesa de Samba Autoral. Autor do samba “No Capibaribe também tem maré”. Gravado pelo sambista pernambucano Belo X. Uma frase define Paulo Perdigão “Samba é coletividade sem essa de individualidade”.

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