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André Sampaio e os Afromandinga (Desaguou)

capaNo álbum “Desaguou”, André Sampaio & Os AfroMandinga apresentam um encontro entre Rio de Janeiro, Mali, Burkina Faso, Lisboa, Moçambique e Olinda com participações nacionais e internacionais: Vieux Farka Touré (guitarrista e filho de Ali Farka Touré / Mali), Cacique 97 (Portugal / Moçambique), Manjul Souletie (Estúdio Humble Ark / Mali), Sekou Diarra (Burkina Faso), Assaba Drame e Fatim Kouyate (Mali), Terrakota (Portugal), Grupo Bongar e Nilton Junior (Olinda/PE), BNegão e Karla da Silva (Rio de Janeiro) são grandes nomes da música mundial que contribuem, de forma maestral, para a construção desta ponte a qual André se dedica: unir tradição e modernidade, africanidades e brasilidades através do som.

As composições e arranjos proporcionam ao ouvinte viver essas experiências, que vão além de percepções sonoras. E é justamente aproximar os dois lados desse Atlântico negro a proposta do guitarrista, lançando olhar sobre um caminho aonde Brasil e África possam estar mais próximos.

Com produção musical assinada pelo próprio André, “Desaguou” conta com 11 faixas, sendo 9 autorais e 2 versões de Nelson Cavaquinho e Jorge Ben, fincando de vez a bandeira tupiniquim carioca na conexão com a terra mãe. Tudo feito com muito cuidado e capricho, contando ainda com o luxuoso auxílio de Manjul Souletie, Buguinha Dub, Pedro Pedrada (Ponto de Equilibrio) e Thiago Alves na co-produção, cada um somando com o melhor dos estilos que trabalham e que compõem o álbum.

A mixagem ficou a cargo de Buguinha Dub em 8 faixas, o disco assim ganhando uma aura e atmosfera psicodélica dos anos 60 e 70, devidamente adubados e com texturas muito orgânicas, sem deixar de soar atual. André foi ao Studio Mundo Novo, em Olinda, para acompanhar de perto e interagir com esse processo tão importante na busca da sonoridade do álbum . As outras 3 faixas foram mixadas por Marcos Caminha, o mesmo que mixa o DVD “Juntos Somos Fortes” do Ponto de Equilíbrio.

A arte do disco ficou a cargo de Ananda Nahu e Izolag Armeidah, da Firme Forte Records. A partir de um mergulho no universo sonoro e poético do disco, os dois artistas traduziram maestralmente em pinturas e gravuras esses ambientes, pontes e encontros musicais que “Desaguou” propoe. A arte da capa, encarte e do poster trazem essa linguagem psicodelica setentista, muito atual tambem, que utilizamos pra ilustrar nosso site.

O disco foi lançado recentemente no Teatro Rival Petrobras, no Rio de Janeiro. Com a casa cheia e uma festa que sacudiu as estruturas, o lançamento do disco já chegou dizendo ao que André e Os AfroMandinga vieram, espalhar e contagiar o mundo com essa fusao original Brasil – África.

A faixa “O Que Fazer?” acaba de ser lancada na compilação “Rise of The Troubador Warriors – Tropical Grooves & Afrofunk Vol.3” do coletivo Paris DJs, da França, um dos mais importantes do mundo. Além de ser a única faixa de um artista Sul-Americano, a faixa também já vem sendo tocada em programas de Afrobeat e Worldmusic mundo afora, sendo o disco “Desaguou” eleito “album da semana” do programa Radio Mukambo, da Radio Groovalizacion (Espanha/ Belgica).

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André Sampaio e os Afromandinga (2011 – Bumaye)

Com alguns dos fraseados de guitarra mais marcantes da música brasileira atual, André Sampaio consolida seus 11 anos de carreira com o lançamento do EP de seu primeiro disco solo, “Bumaye!”. Conhecido do grande público como guitarrista solo e compositor da banda de reggae Ponto de Equilíbrio, André se consolidou como um instrumentista ímpar. Suas influências claramente blues-jazzísticas se fundiram à guitarra do roots reggae jamaicano, somando a elas suas experiências e pesquisas em viagens pelo Brasil, Europa e África, tocando com grandes nomes da música nacional e internacional.

“Bumaye!” é o EP do álbum homônimo que retrata esses diálogos entre tradições de matriz africana e música moderna com instrumentos eletrificados, numa linguagem que mescla afrobeat, samba-rock e dub com cantos e expressões inspirados em cantigas de capoeira angola, do samba de terreiro, do candomblé, dos cantos dos griôs, dos nyabinghi e dos bluesman do Missisipi.

Em uma atmosfera dub que remete ao psicodelismo dos anos 60 e 70, o universo musical que envolve esse jovem (porém experiente) artista carioca é de fusões de vertentes afro, tendo a guitarra como catalisadora. Tudo mantendo uma elegante harmonia de elementos e sonoridades. Com muita intensidade, a música que flui de suas cordas é uma música que vem da alma, que nos leva a passear por uma ancestralidade e ao mesmo tempo uma atualidade. Um diálogo entre o tradicional e o moderno.

Sua inspiração principal nos últimos anos vem sendo a guitarra mandinga, nome dado pelos portugueses ao tronco lingüístico malinke. Povo místico, oriundo do antigo Império do Mali (África Ocidental, sec. XIII), que confere à música um caráter de religação com os ancestrais, aonde os jélis (ou griôs) possuem grande prestígio na sociedade. Através do violão e da guitarra, os jélis trouxeram para um contexto de música moderna os fraseados e timbres dos seus instrumentos tradicionais.

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