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Charlie e os Marretas (2014)

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No dia 23 de maio, o Auditório Ibirapuera, em São Paulo, será palco do lançamento oficial do primeiro disco autoral da banda Charlie & Os Marretas, que traz nove faixas inteiramente compostas pelo próprio grupo e inspiradas na dualidade estética existente entre a nova e a velha escola do funk. As composições do disco revelam influências que contemplam ícones da velha guarda do gênero como James Brown, Parliament e The Meters, além do hip hop de Afrika Bambaataa e DJ Premier, que convivem com o tempero das novas gerações do jazz-funk e do hiphop, representadas por RH Factor, Madlib e J Dilla, além de ritmos contemporâneos dançantes como o reggeaton e o dubstep.

A dualidade estética também foi explorada na própria produção do disco, que conta com algumas faixas gravadas ao vivo e outras gravadas instrumento por instrumento, estendendo o processo criativo à fase de pós-produção ao introduzir elementos eletrônicos como sampler e MPC nas composições. Assim, o disco transmite a essência do Charlie & Os Marretas, que se define como uma banda de funk avessa à abordagem purista do gênero e mostra a cara da nova geração do funk autoral brasileiro: moderno e cheio de groove, com um pé na inovação e o outro nas pistas dos grandes bailes de antigamente. Formada em 2009, a banda foi inspirada pela sonoridade e atitude do funk dos anos 70. Através de uma vasta pesquisa do gênero e de seus derivados, aliada aos anos de estrada, o Charlie & Os Marretas desenvolveu um estilo próprio aplicado na gravação do disco. O resultado é uma combinação voltada para as pistas, que remete aos saudosos tempos dos bailes black.

A produção do disco é assinada pela própria banda e por Gui Jesus Toledo, que gravou e mixou oprojeto no estúdio CANOA. As gravações contaram com participações especiais nos metais deNatan Oliveira (trompete e trombone), músico de apoio da banda que trouxe a experiência adquirida em trabalhos com a Banda Black Rio, Tony Tornado e Elza Soares, além do já antigo parceiro de estrada Vinicius Chagas no sax tenor e Rafael Molina no sax alto, tenor e EWI. Finalizado em março deste ano, o disco foi masterizado no Estúdio El Rocha por Fernando Sanches e será disponibilizado para download gratuito a partir do dia 15 de maio. Além do formato digital, o disco também terá suas versões em CD e LP, graças à parceria entre os selos Brasilis Grooves Records e RISCO – coletivo independente integrado pelo Charlie & Os Marretas e os grupos O Terno, Memórias de Um Caramujo, Os Mojo Workers, Noite Torta, Luiza Lian, Grand Bazaar e Caio Falcão. O esmero na produção também contempla o produto físico final, que conta com arte de Lewis Heriz, artista inglês que já assinou capas de discos para várias gravadoras estrangeiras como Now-Again, Stones Throw, Tru-Thoughts e Soundway Records, além de diversas capas de filmes.

Formada por Charles Tixier (bateria, MPC e voz), Gabriel Basile (percussão e voz), André Vac (guitarra, voz e composições), Guilherme Giraldi (baixo e composições) e Tomás de Souza(teclados e voz), nos shows a banda agora conta com Filipe Nader (sax alto e barítono) e Natan Oliveira (trompete e trombone). Os cinco anos de atuação do Charlie & Os Marretas na cena paulistana renderam a consagração da banda entre os amantes de performances intensas e dançantes, ao estilo dos bailes de antigamente. Nessas ocasiões, o repertório da banda trazia uma série de clássicos do funk de James Brown, Tim Maia e The Meters, até pérolas garimpadasda Banda União Black, Ripple e Blackbyrds. Após esse tempo de estrada, o grupo apostou nas composições próprias e aperfeiçoou um repertório autoral vibrante, já apresentado em casas de show como Clash Club (Vai Music Trends), The Week (Inner Multi Art – Palco Red Bull Music Academy), EcoHouse (Navegroove), Tapas Club (Maracutaia), Casa do Mancha, Sarajevo Club,Berlin, Puxadinho da Praça, Mundo Pensante, Serralheria e no Coala Festival 2014.

Em paralelo ao trabalho autoral, o grupo atua como banda de apoio e faz a direção musical do cantor e compositor recifense Di Melo, O Imorrível, ícone da soul music brasileira. Junto a ele, o Charlie & Os Marretas já se apresentou em São Paulo no Auditório Ibirapuera, SESC Pompéia (com participação de BNegão), nas comemorações do 1º de maio da CUT (com a participação especial do rapper Emicida), MUBE (Jam Session Verdi); Rio de Janeiro (Circo Voador – Festival MOLA e Morro do Salgueiro – Norte Comum); Brasília (Festival Satélite 061) e participou do programa Cultura Livre, apresentado por Roberta Martinelli, na TV Cultura. A experiência adquirida em todos esses palcos foi aplicada ao formato do show, pensado como um legítimo espetáculo minuciosamente idealizado, focado em transições que se mostram às vezes imprevistas e outras vezes sutis a partir de interlúdios e outras composições da banda para além do disco. A concepção do show como uma só unidade, à moda dos grandes mestres do funk, se traduz nas reações do público, que em muitos momentos sente a sua tensão acumulada ao presenciar o Charlie & Os Marretas segurando um groove na manga da camisa, para em seguida arrebatar novamente a platéia com mais marretadas sonoras.

A banda ainda mostra, literalmente, a cara do seu trabalho no dia 12 de maio, quando será lançado o videoclipe de “Marretón”, a faixa mais dançante do álbum, escolhida como música de trabalho e que apresenta uma mistura pesada de funk, reggaeton e influências do afoxé. Nela, abanda leva a sério o refrão e o grande motivo que a leva a fazer seu funk autoral: o resgate dos grandes bailes, onde, quando a festa começa, todos só querem dançar. Com essa e outras combinações que compõem o disco, a banda prova que o funk não morreu, é só saber procurar.

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