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Claudia Dorei (2014 – inspire)

claudia dorei - inspire

Cantora, instrumentista, compositora, Claudia Dorei gosta de coisas “simples, econômicas, sem muita firula”, como diz. E foi assim que concebeu seu primeiro disco, “Respire”, de 2009, depois de ter caminhado por aí com Denise Stoklos (com quem estudou e trabalhou) e Gerald Thomas (para quem compôs trilhas), além de ter nadado entre Portishead, Björk, Chet Baker, Kruder & Dorfmeister, jazz, hip hop, dub e eletrônica.

Carioca, por um bom tempo radicada em São Paulo, Claudia tem brisa e urgência. Cercada de músicos que catou, preciosamente, como conchas na areia, ela gravou “Respire”, em clima caseiro, com o tempero mágico de Buguinha Dub (da Nação Zumbi) na mixagem. O resultado foram 11 músicas ensolaradas, doces, cheias de espaço, mas também repletas de dramaticidade, como “Gentileza” (homenagem ao profeta Gentileza, lembrado pela celestial pregação “gentileza gera gentileza”) e “Som”, na qual a flauta se enamora do beatbox.

Independente, a cantora e instrumentista recorreu ao formato crowdfunding no começo de 2011 (via a gravadora Embolacha) e, em alguns meses, já tinha arrecadado o suficiente e mais um pouco para gravar as dez músicas que tinha composto, que dariam sequência a “Respire”. Mas para a surpresa da própria artista, seu passo seguinte foi em outra direção. Contaminada pelo vírus da pista e pelas batidas da bass music, ela se juntou ao produtor Cavalaska e criou um personagem, Malika, com o qual gravou o arrojado “One”, lançado no começo de 2012. Inspirada em James Blake, CocoRosie e Björk, Claudia usou Malika para cantar músicas sobre ganância (“Our weapon”), solidão (“Midnight”), viagens interplanetárias (“Elev8”) e novos tempos (“Get together”). “Foi uma espécie de Occupy Claudia Dorei”,explicou ela em entrevista ao jornal “O Globo”. “A Malika tomou conta de mim”.

Passada essa incorporação, Claudia guardou Malika e retomou sua carreira original. No segundo semestre de 2014, lançou “Inspire”, cinco anos depois da estreia com “Respire”. Com 12 faixas inéditas e participações especiais de Anelis Assumpção e do MC Ras Ital, o álbum foi produzido por ela, Thiago Duar e Beto Villares (em duas faixas). Nele, Claudia navegou do samba ao dub reggae, do jazz a cumbia.

Agora em 2015, desde que viu a artista argentina Juana Molina ao vivo, começou a elaborar um show sozinha, onde pudesse soar como uma banda. Resolveu pesquisar seus caminhos e experimentar esse formato em seu som. Comprou pedais de loop, se trancou no estúdio nos últimos meses e finalmente chegou à um set com guitarra, baixo, ukulele, teclado, trompete e beatbox. É com esse rico repertório e variados insrumentos, que ela – novamente radicada no Rio se prepara para uma série de shows pelo país.

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