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Do Amor (2013 – Piracema)

Do-Amor-Piracema-2013
Quando quatro demônios se juntam para fazer arte sejam eles do caroço do mundo ou não, o resultado não importa mesmo, é um elogio ao processo de se lambuzar na alma humana ou na lama do mundo, com qualidades altamente tóxicas assim como dermatologicas. Cthulu, Absu, Mummu e Tiamat se conhecem há muito tempo, desde o tempo que se batia gelatina com groselha nos ranchos de colônia de larva lá de Keidânia; assim foram crescendo e se apegando ao mundo, suas dores, seus pavores e suas paixões! Cthulu logo se interessou pelas artes marciais do Tae-kwon-do, enquanto o sapeca Absu ia veloz como o vento no remo. Mummu veio ao planeta já querendo ser cantor de rock e logo cedo demonstrava energia ao jogar barro seco do alto de sua janela; Tiamat já faz o estilo mais tradicional, desde cedo a malandragem carioca lhe aumentava a pressão do sangue e este começava a tamborilar. Agora estes que lhe apresentei estão juntos no conjunto musical “Do Amor”. O que isso significa? quatro criaturas das profundezas se disfarçando para roubar doces de criancas? Um pouco, mas a natureza da palavra “Amor” segundo eles assume várias facetas, tão drásticas quanto estranhas, como a que se encontra no inverso desta mesma: “Roma”, ou no inverso de Love: “Evol”. E por aí vai! Eu ja tive o prazer de escutar o som que esses bichinhos fazem quando estão fazendo música! Já trabalharam com muitos artistas e outros conjuntos e a experiência deles no que fazem é de fato legítima.

Dáumload

Do Amor (2010 – Do Amor)

Do Amor é uma banda parcialmente conhecida para muitos. Marcelo e Ricardo formam a Banda Cê, que vem acompanhando Caetano há 3 anos. Gabriel Bubu foi baixista do Los Hermanos.

Faz já algum tempo, todos eles vêm tocando na cena alternativa nacional com certa freqüência, acompanhando artistas como Nina Becker, Jonas Sá, Rubinho Jacobina e Lucas Santtana entre muitos outros.

Eles já mostraram que são músicos incríveis e, justamente por isso, esse lançamento nos gera uma certa expectativa, já que se trata do trabalho autoral destes grandes instrumentistas. Porém, devo dizer que este disco de estreia supera qualquer prognóstico positivo. Há uma riqueza, uma exuberância criativa que raramente se vê numa banda. É um trabalho repleto de referências dos mais distintos e variados estilos que são depurados nas formas mais insólitas e divertidas. Mas não se trata de referências gratuitas. Vão do carimbó ao Manchester Rock, com a maior naturalidade… e com a maior verdade também. Não é uma mistura superficial. São universos super variados, que nos remetem a infinitos lugares, épocas e mundos, reunidos num trabalho absolutamente autoral.

Há muita ironia e humor aqui. Digo, não são somente músicos virtuosos desempenhando uma excepcional performance. Não há frieza nem soberba. Tocam a música em si, no sentido mais genuíno da coisa. Desconstroem todos esses estilos para no final nos devolver em… música! No fundo acho que esse álbum é mesmo uma declaração de amor à própria música. Aliás, não é só um amor declarado como vivido. Cada frase, cada estilo, cada nota é curtida, transada. Mas sempre com a leveza de quem vai tomar um suco na esquina, um mate na praia. Há uma saudável maresia apesar de ser um disco super trabalhado e bem acabado.

Chico Neves é quem assina a excelente produção. Chico tem o dom de gravar bem. É um verdadeiro mestre jedi do estúdio. Conseguiu extrair o supra-sumo da banda que se revela totalmente em todos os momentos. Dá gosto de ouvir.

Enfim, este disco é um clássico desde já. É para escutar, reescutar e curtir sempre.

(por Pedro Sá)

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