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Euterpe (2015 – Batida Brasileira 2)

CD Euterpe Capa frente_FotorSegundo CD da cantora roraimense Euterpe. A cantora Euterpe inicia 2015 lançando o CD Batida Brasileira 2, o segundo de uma trilogia com a qual a artista promove a valorização da música popular brasileira, privilegiando o trabalho dos compositores da região Norte do Brasil.

Neste segundo disco, Euterpe se reafirma excelente intérprete, com timbre agradabilíssimo e afinação perfeita. Como compositora, expande as fronteiras de seu som, ao dialogar com o universo pop em músicas como “Alguém” e “Loura Linda” (ambas parcerias com Eliakin Rufino; a última remete ao Jorge Ben dos anos 1970, tanto por seu ritmo contagiante quanto pela letra em que uma mesma expressão inicia uma sequência de versos – o seu cabelo é ouro/ o seu cabelo é belo/ o seu cabelo é louro/ é lindo esse amarelo”). Outra composição com ritmo contagiante é o samba “Coração Campeão” (também parceria com Eliakin). Em “Fico com o presente”, a melodia pouco extensa exprime à perfeição a valorização do tempo presente, apontado como superior ao passado e ao futuro na letra de Eliakin Rufino. Já em “Viola goiana”, Euterpe renova a parceria com o poeta Gilberto Mendonça Telles, iniciada no CD anterior.

Euterpe também estreia no álbum como letrista, sendo sua a versão para o francês do poema de Odara Rufino “Oiseau noir”, dedicado à pintora mexicana Frida Kahlo, que sempre se manteve otimista apesar dos inúmeros percalços pelos quais passou. Outra homenageada, em “Casa de Cesária”, é a cantora Cesária Évora, de Cabo Verde; na letra, incorporando vocábulos do dialeto crioulo cabo-verdiano como “cretcheu” (pessoa muito querida), Eliakin Rufino descreve a sensação de visitar a casa onde a artista viveu em Mindelo, em março de 2012; Cesária falecera três meses antes.

A sintonia com o mundo é um traço marcante do disco, que consegue ser uma expressão regional sem jamais cair em clichês regionalistas. Mesmo na faixa de abertura, “Sertão das águas” (Milton Nascimento – Ronaldo Bastos), não há apenas bucolismo nas referências a igarapés, matas e seringais; a letra roga que não venha o fogo queimar/ nem trator correr arrastar/ pra que a vida queira pulsar e correr. Milton lançou “Sertão das águas” em seu LP Txai (1990), parcialmente gravado no Acre e em Rondônia. Robertinho Silva, que faz participação especial nesta faixa, também estava presente na gravação original.

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