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Karina Buhr (2015 – Selvática)

capa selvática

A cantora e compositora Karina Buhr começou na música em 1992 nos maracatus Piaba de Ouro e Estrela Brilhante do Recife. De lá pra cá integrou a banda Eddie, formou a banda Comadre Fulozinha, tocou e fez participações em discos do Mundo Livre S/A, DJ Dolores, Antônio Nóbrega, Erasto Vasconcelos, Mestre Ambrósio, Cidadão Instigado, Bonsucesso Samba Clube, Véio Mangaba e suas Pastoras Endiabradas, bandinha de pífanos Zabumba Véia do Badalo, Bárbara Eugênia, Marina Lima, Anelis Assumpção e muitos outros. Foram inúmeras as participações em trilhas sonoras de filmes, peças de teatro e dança.

No ano 2000 passa a integrar o Teatro Oficina, onde também foi atriz, a partir convite de Zé Celso Martinez pra fazer a peça Bacantes. De 2003 a 2007 participou da montagem completa de Os Sertões, com temporadas em São Paulo, gravou Bacantes e as 5 peças de Os Sertões em DVD e participou de turnê por Berlim, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Quixeramobim e Canudos.

Em 2010 lançou o primeiro disco solo “Eu Menti pra Você”. Eleita artista do ano, pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), figurou entre os “Top 10″ disco e músicas, da revista Rolling Stone. Tocou na Womex, importante feira mundial de música independente, em Copenhague.

Foi contemplada pelo edital Natura Musical, para gravação do segundo disco e turnê, indicada a “artista revelação” do ano no VMB e “melhor cantora” no Prêmio Música Digital. Ainda em 2010 participou do lançamento da Caixa Preta de Itamar Assumpção, com o show do disco “Intercontinental”, com participações de Elke Maravilha e Denise Assunção.

Em novembro de 2011 veio o disco “Longe de Onde”, também recebido com grande entusiasmo por público e crítica. Foi apresentada na MTV americana, como “uma Patti Smith com olhos pintados e um monte de cultura brasileira a seu dispor”. Pelo segundo ano consecutivo, entra nos “Top 10″ discos lançados da revista Rolling Stone. No mesmo ano se apresentou no lendário festival Roskilde, na Dinamarca.

Em 2012 foi indicada ao VMB nas categorias “melhor disco”, “melhor música” e “melhor artista feminino”. No 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora, com Tomaz Alves Souza, pelo filme “Era uma vez eu, Verônica”, de Marcelo Gomes e foi finalista do Prêmio Bravo, entre os 3 melhores shows brasileiros, ao lado de Gal Costa e Marisa Monte. Ainda em 2012, estreou coluna mensal, com texto e ilustração, na Revista da Cultura, publicação da Livraria Cultura, onde também lançou, em 2013, uma coleção de cadernos, com capas com ilustrações suas. No mesmo ano passou a ter a coleção em vidro e porcelana com suas ilustrações na loja do Museu do Inhotim, Minas Gerais.

Estreou o show “Secos e Molhados”, com repertório do álbum homônimo de 1973, participou do projeto Goma Laca, em São Paulo, dirigido por Letieres Leite e Pipoca Moderna, em Salvador, ao lado de Márcia Castro, Baby do Brasil e Gaby Amarantos.

Em 2014 lançou a versão anual da revista Sexo Ágil, com seus textos e ilustrações, estreou o blog Pane no Pântano, na revista Carta Capital, participa da bancada do Programa Piloto, da TV Carta, ao lado de Leonardo Sakamoto, PC Siqueira e Ferréz.

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Karina Buhr (2011 – Longe de Onde)

Capa Selecionado no Edital Nacional 2010 do Natura Musical, o projeto patrocinado pela Natura contempla, além da gravação do disco, cinco shows de lançamento em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre e Campinas, em novembro e dezembro

A música de Karina Buhr tem o sim e o não. Em sua poesia existe esperança e morte, solidão e amor. Se compor é assumir todas as possibilidades, em uma canção cabem todas as ideias, pensamentos, sensações que se for capaz de imaginar e sentir. Da primeira à última das onze faixas de Longe de Onde, segundo álbum solo de Karina, a vida é uma surpresa.

Assim como em seu primeiro disco (“Eu Menti Pra Você”, janeiro de 2010), o novo foi produzido por Karina ao lado de Bruno Buarque e Mau, respectivamente baterista e baixista e estrutura base para suas narrativas musicais cheias de rasteiras nas expectativas. Liga que se completa com o tecladista André Lima e o trompetista Guizado, mais a impressionante dupla de guitarristas Edgard Scandurra e Fernando Catatau, camadas de som se alternando e se encontrando.

Banda meganinja que acompanha a espontaneidade das canções e conduz a eletricidade em alta voltagem de Karina: ao vivo é uma experiência, disco é pras canções nascerem. Tudo leve e tudo denso. E tão particular que uma das coisas mais fascinantes de um segundo disco é ver o que não era coincidência nem vira acidente, o que se torna a voz, o que se cristaliza como personalidade artística – ou o que cabe no nosso ouvir.

Tematicamente, eu-liricamente, melodicamente, nos arranjos e letras plurais nos estilos e abordagens, as composições de Karina são a invenção de um mundo sem limites – geográficos, conceituais, de imaginação. Universo que se expande do punk rock de “Cara Palavra” à poesia aguda de “Não Precisa me Procurar”. Nas imagens de pista de dança versus campo de guerra de “The War’s Dancing Floor” à pressão surf music de “Guitarristas de Copacabana”. Do encontro de leveza e fatalismo no delicioso reggae “Cadáver” ao dueto de voz e guitarra na bela “Amor Brando”. E na sinceridade irresistível da quase new wave “Não me Ame Tanto”.

Em uma recente viagem ao Marrocos depois de um show do festival Roskilde, na Dinamarca, atraída pela beleza do lugar e da escrita árabe nas ruas, pela simbologia da proximidade distante, Karina registrou em Casablanca a imagem de capa do disco, foto de Jorge Bispo. Longe depende de onde, mas longe também é onde. Karina Buhr não é de nenhum lugar que você conhece. Riqueza de interpretações, insinuações, declarações, provocações, despadronizações.

Com seu romantismo e existencialismo, lirismo e ironia, Karina é absolutamente sincera nas mentiras da arte, da representação, da sugestão anticlichê em composições de ritmo oral, esperto e instintivo. Lógica própria, que se apresenta e existe de pronto. Experiências que se somam, nenhuma coisa em si exatamente definindo ou explicando. A poética é invulgar e literalidade é limitação. A vivência é única, e é justamente nessa coisa única que tudo se torna mais interessante. Falar muito é como explicar a piada: para fazer ideia, só ouvindo e pensando e sentindo.

Ronaldo Evangelista Outubro/2011

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Karina Buhr (2010 – Eu Menti Pra Você)

karinaDe meia rendada, sapatinho de menina, presilha no cabelo, maquiagem colorida, Karina Buhr quase engana um incauto com uma carinha tímida. Logo seus olhos meio esverdeados se lançam sobre a platéia e saem da boca dessa figura doce que “uma fúria odiosa já está na agulha” ou uma canção de ninar pras crianças de Bagdá que diz ”dorme logo antes que você morra, está chovendo fogo e as ruas estão queimando”. Karina trabalha com o espontâneo e o inusitado de quem diz que quer passar a tarde estourando plástico bolha mas com um conteúdo muitas vezes desestabilizador. Suas imagens não são comuns e há qualidade na construção: “o céu embaixo das nuvens, a terra por baixo do asfalto, o centro da Terra que puxa a gente, a gente pula contra a vontade do chão”. Até pra falar de amor o discurso poético não é óbvio: “fria, não miro a ira, não miro mas te acerto no peito, quando mudo meu amor de endereço.
 
Karina nasceu na Bahia, mas foi criada em Pernambuco onde viveu intensamente a música de raiz, as pastoras, o cavalo marinho, o maracatu. E traz de lá esse colorido em suas músicas e letras. Tem qualquer coisa de sonho a impressão que fica ao ouvir seu disco, ao ver seu show. Uma nuvem te envolve. E eu acredito que esse barato se dá pela originalidade de seu discurso que está nas letras, na postura de palco, na concepção musical contemporânea, livre da definição de gêneros e estilos. A diversidade é hoje uma realidade cultural e Karina Buhr é um talento em destaque nessa cena.
Há cerca de dez anos, Itamar Assumpção me disse o seguinte: “A música brasileira tem muitos melodistas populares, Luiz Gonzaga, Monsueto, Cartola, Lupicínio, Adoniran, as melodias são eternas, então se você diz que está na tal MPB tem que prestar atenção nisso, ser diferente é o mínimo!”

Karina Buhr é diferente. “Eu Menti pra Você” é seu disco de estreia em carreira solo depois de anos no Comadre Fulozinha e já é uma das melhores coisas desse ano que começa agora. Os músicos são o que há de melhor nessa geração: Bruno Buarque (bateria, base mpc), Mau (baixo), Guizado (trompete), Dustan Gallas (teclados e piano), Otávio Ortega (teclados e bases eletrônicas), Marcelo Jeneci (acordeon e piano) e as guitarras mais incríveis do país Edgard Scandurra e Fernando Catatau, além da atriz alemã Juliane Elting e do percussionista cubano Pedro Bandera. Os caminhos sonoros, como já disse, vão muito além do conhecido. As referências estão diluídas na originalidade dessa reunião de talentos e faria feliz o exigente Itamar como faz a mim.

Há muito tempo eu esperava ouvir algo assim. Pra entender o que eu digo ouça o disco com liberdade e atenção pra aprender com Karina Buhr quando ela diz “pelo avesso vamos pro fundo (…) sinto muito que você não pensa nisso, surpresa sua. Mas pode ser também surpresa minha, surpresa sua”. E fique feliz!

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Karina Buhr (Ao Vivo no Prata da Casa e Vozes do Brasil)

A cantora, compositora e percussionista Karina Buhr, iniciou sua carreira musical em 1994 como baiana do maracatu Piaba de Ouro e batuqueira do maracatu Estrela Brilhante. De lá pra cá foram inúmeros os grupos dos quais participou, entre eles as bandas Eddie, Bonsucesso Samba Clube, DJ Dolores, Véio Mangaba e suas Pastoras Endiabradas entre outros, além de trabalhos expressivos em dança e teatro. 

Karina também assina as ilustrações dos CDs da banda Comadre Fulozinha. À frente da banda desde 1997, se apresentou, além do Brasil, em diversos palcos da Europa, Canadá e EUA, recebendo os melhores elogios da crítica especializada. Gravou três CDs, o terceiro com lançamento previsto para fevereiro de 2009.

A banda que a acompanha é formada por Otávio Ortega (teclado e programações), Bruno Buarque (bateria), Mau (baixo) e Guilherme Mendonça (trompete). Nas palavras da jornalista Patrícia Palumbo: “Karina é uma compositora talentosa, singular, de poesia tocante. Seu sotaque ao cantar confere uma nota especial ao som. A formação da banda é um grande achado: baixo, bateria, teclados e sopros; não tem nem violão nem guitarra, e os músicos são nossos velhos conhecidos, jovens e incrivelmente talentosos”…”Suas canções tem o lirismo dessas manifestações de raíz, um clima de filme e de romance”. Karina também integra a banda da cantora Iara Rennó com o show Macunaíma Ópera Tupi, participa como convidada da banda Mamelo Sound System, do projeto solo do guitarrista Fernando Catatau. Participou do projeto Era Iluminada – Mangue Beat, do SESC Pompéia, dividindo o palco com a Nação Zumbi, Siba e a Fuloresta, Junio Barreto, Fábio Trummer, Lia de Itamaracá entre outros. Rebatizado Admiral Recife, o show integrou a programação do Reveillon 2008/09 no Marco Zero em Recife. Radicada em São Paulo há 5 anos faz parte da companhia Teatro Oficina, de José Celso Martinez Correa, como atriz, cantora, percussionista e compositora. Com o grupo participou de “Os Sertões” em temporadas em São Paulo, na turnê brasileira 2007 (Salvador, Recife, Rio de Janeiro, Quixeramobim e Canudos), na gravação dos DVDs e na abertura da temporada 2005/2006 do teatro Volksbühne, em Berlin. Com o grupo ganhou o prêmio Shell São Paulo de Teatro 2002, na categoria melhor trilha sonora. Tem participação em CDs da Mundo Livre s/a, Eddie, Erasto Vasconcelos, Antônio Nóbrega, Dj Dolores, nas coletâneas Reiginaldo Rossi, Baião de Viramundo, Pernambuco em Concerto, Music from Pernambuco, Música de Pernambuco, Revista Bexiga Oficina do Samba e na coletânea infantil Brincadeiras, do produtor Marc Regnier, com a música Sonhando, de sua autoria.

Participou das peças A História do Amor de Romeu e Julieta (adaptação Ariano Suassuna), direção de Romero Andrade Lima, no Festival de Teatro de Curitiba e Porto Alegre em Cena (1997). Atuou e fez direção musical de O Pequenino Grão de Areia, de João Falcão, direção Luciana Lyra (2006/2007). Assina co-direção da trilha do filme pernambucano Orange Itamaracá e participa das trilhas dos filmes O Baile Perfumado, Deus é Brasileiro, Fábio Fabuloso, Narradores de Javé, dos curtas Enjaulado, A Garrafa do Diabo e da peça e do filme A Máquina.

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