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Lula Queiroga (2009 – Tem Juízo Mas Não Usa)

Lula Queiroga despontou no mercado fonográfico em 1983 com Baque Solto, um álbum dividido com seu conterrâneo Lenine, alma gêmea artística do compositor pernambucano. Nada aconteceu de imediato. Mas, a partir de 1997, Lenine engatou carreira solo que lhe deu projeção, inclusive além das fronteiras brasileiras. Queiroga continuou à margem, na terra natal, embora seu terceiro CD solo, Tem Juízo mas Não Usa, confirme o que os anteriores Aboiando a Vaca Mecânica (2001) e Azul Invisível Vermelho Cruel (2004) já haviam sinalizado: o som do artista atingiu ponto de maturação que nada deve à obra de Lenine. Como seu irmão artístico, Queiroga se conecta ao mundo a partir de Pernambuco. Programações eletrônicas (pilotadas por Yuri Queiroga, sobrinho de Lula) interagem com sons orgânicos em vigoroso mix de sabor contemporâneo. Tem Juízo mas Não Usa capta inquietudes, urgências (Agora Corra é o título de uma das melhores músicas do CD) e angústias desse mundo moderno. “Vou comprar uma lanterna/Vou morar numa caverna/Antes que o teto caia/Sobre a minha sombra”, anunciam versos de Tectopop, faixa na qual figuram a voz de Silvério Pessoa e o trombone de Nilsinho Amarante, que evoca sons de Carnavais de Pernambuco. São múltiplas as referências que saltam aos ouvidos neste CD de alta voltagem. A faixa-título – Tem Juízo mas Não Usa, parceria de Queiroga com Pedro Luís, cantada por Lenine – dialoga com o samba carioca. Geusa agrega a poesia derramada de Lirinha (do Cordel do Fogo Encantado), a voz de Silvério Pessoa (egresso do Cascabulho) e a bateria de Pupillo (habitante da Nação Zumbi). Fulana é balada de múltiplos sotaques formatada sob os cânones da globalização. Contudo, a música de Queiroga não tem sua força diluída por conceitos. Temas como Você Não Disse, Meus Pés (com a voz de Alceu Valença, menos elétrica do que de costume) e, sobretudo, Altos e Baixos (outra faixa da qual participa Lenine) têm potencial para fazer sucesso. Já passa da hora de o Brasil fazer uso do juízo e descobrir o belo som globalizante de Lula Queiroga. (Mauro Ferreira – 09/04/09)

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Lula Queiroga (2001 – Aboiando a vaca mecânica)


Junto com as eventuais odisséias espaciais, o ano de 2001 também trouxe a reboque o pernambucano Lula Queiroga. Não que o homem seja mais uma “novidade” surgida no rescaldo pós-manguebeat do Recife; Lula, parceiro ancestral do hoje conceituadíssimo Lenine, já carrega nas costas pelo menos 20 anos de música, alheio às maquinações da grande mídia do Sulmaravilha. Bom, pelo menos até agora. Após ter lançado em fevereiro deste ano o álbum Aboiando a Vaca Mecânica, seu primeiro disco solo, no peito e na raça.

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