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Maquinado (2010 – Mundialmente Anonimo – O Magnetico Sangramento da Existencia)

É notável a evolução de Homem Binário (2007) para esse segundo trabalho, em grande parte influenciado pelo papa do suingue, Jorge Ben Jor. Se o primeiro era mais “eletrônico”, mais disco de produtor, neste o som é mais “orgânico”, e o guitarrista dá mais vazão ao instrumento no qual é um dos melhores de sua geração. “No outro, a guitarra era só mais um elemento. Este é superorgânico, apesar de ter as bases montadas de forma eletrônica, no caso da bateria, mas não significa que o som seja artificial”, diz Maia. “Fora isso o resto foi tudo gravado de maneira tradicional.”
Com maior liberdade de criação, ele também tomou conta de tudo desta vez. “No primeiro, fiz questão que as participações especiais fizessem parte da autoria da música. Aqui não: fiz tudo sozinho e a maior parte fiz com a guitarra.” Maia está mais solto até nos vocais, embora reafirme que não é nem pretende ser cantor, usa a voz apenas como um complemento na maior parte das faixas. Em Tropeços Tropicais ele deixa a função para Lourdez da Luz, do Mamelo Sound System.
Maquinado vai além da colagem rock-samba/samba-rock, entrelaçando o que já era misturado com hip hop, dub e outras batidas, nitidamente influenciado por Jorge Ben Jor. “Ele é o nosso Jimi Hendrix. É o monolito principal pra mim”, diz Maia, que colocou como faixa inicial a clássica Zumbi e usou sample de Charles, Anjo 45 em Girando com o Sol. Zumbi seguida de Dandara (dele) é homenagem dupla ao casal-símbolo da negritude brasileira, menos valorizado do que merece.
Fonte: Estadão