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Pio Lobato (2007 – Esboço)

esboço

Guitarrista com mais 20 anos de carreira, Pio Lobato é hoje um dos ícones da guitarrada. Seu nome passou a ser referência para o ritmo no início dos anos 2000, ao ser incluído no projeto Cartografia Musical Brasileira, do “Rumos Itaú Cultural”. Na época, o Pio então guitarrista da banda Cravo Carbono, deu vazão ao trabalho de pesquisa que iniciou ainda na Universidade Federal do Pará, nos anos 90, quando entrou em contato com musicalidade de Mestre Vieira, o criador da “guitarrada”. Com uma experiência que passa pelo rock de bandas como Anjo do Abismo e Cravo Carbono, Pio Lobato consolidou seu trabalho no experimentalismo de loops e guitarras. Seu novo trabalho recebeu seu próprio nome e será apresentando ainda no primeiro semestre de 2014 a partir de viabilização de patrocínio colaborativo. Seu pioneirismo em estudar a “guitarrada”, gênero surgido nos anos 70 da fusão original de choro, merengue e jovem-guarda na técnica de guitarristas da região, criado por Mestre Vieira de Barcarena, o tornou um de seus principais expoentes.

Buscando por um caminho próprio para suas composições instrumentais, o músico trabalha com ferramentas, efeitos, loops e texturas típicas do vocabulário pop eletrônico atual e passeia por territórios como o rock, o choro ou a guitarrada, e ainda por gêneros regionais mais recentes, como o tecnobrega ou o cybertecno de Belém do Pará. O resultado dessa somatória difere de timbres e ritmos mais comuns trazendo a marca seu trabalho: o trânsito entre o tradicional e o experimental.

Nos últimos 5 anos, Pio tem participado ativamente como curador de festivais, dentre os quais: Prêmio Procultura Palcos Musicais Permanentes em 2011, Prêmio Funarte de Música Brasileira 2013, Rumos Itaú Cultural 2010 e 2012, e Edital Natura Musical Pará, em 2013.

Em paralelo à carreira solo, Pio Lobato também integra, como guitarrista e produtor o trabalho de Dona Onete, também grande expoente da música produzida no Pará; além de continuar experimentações com o projeto Massa Grossa.

Por: Dani Franco

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Pio Lobato (2005 – Café)


Um universo próprio construído apenas a partir de timbres de guitarras é a marca do trabalho do músico paraense Pio Lobato, 33. Seus experimentos têm como pilar a força primal dos loops: a repetição é matriz de texturas criadas com camadas sobre camadas sonoras, unicamente com o uso do instrumento elétrico.

Sotaque brasileiro para a guitarra

O trabalho de Pio Lobato sempre buscou novas fronteiras, sotaques e experimentações voltados exclusivamente para a execução da guitarra elétrica. Ainda na década de 90, o músico de Belém já havia vasculhado a influência do choro na técnica original de guitarristas da região como Aldo Sena e Mestre Vieira de Barcarena, o maior difusor do gênero denominado guitarrada. Músico formado pela Universidade Federal do Pará, a partir de 1997 o guitarrista passou a integrar o grupo Cravo Carbono, um dos mais respeitados trabalhos de flerte entre o pop e os ritmos brasileiros estabelecidos na região. Também em busca paralela por um caminho mais próprio para suas composições instrumentais, Pio Lobato muniu-se de elementos que se tornariam patentes na sua música: colagens de bases pré-gravadas e manipuladas em computadores caseiros e muitos loops, construídos com a ajuda do echoplex – um original aparelho de delay eletrônico inventado por Mathias Grob, suico radicado na Bahia, que permite a um músico acompanhar a si mesmo em sessões ao vivo. O resultado, que pouco tem a ver com as timbragens e ritmos mais comuns à música eletrônica, pode ser conferido em Café, o primeiro disco solo de Pio Lobato. Recentemente, o compositor ainda foi incluído como uma das boas novidades da música de Belém na trilha sonora do novo longa-metragem de Cacá Diegues – Deus é Brasileiro (2003). A faixa que compõe o filme é Recado pra Lucio Maia, a mesma composição instrumental que ganhou destaque em coletânea nacional editada pelo projeto Itaú Cultural Música – Rumos e Vertentes, lançada em 2001.

O trabalho do músico ao lado do grupo Cravo Carbono também já havia sido mapeado em 2000 pelo documentário multimídia Música do Brasil, do antropólogo Hermano Vianna, bem como pela versão brasileira do Strictly Mundial, mostra do Fórum Europeu de Festivais realizada em 2001, em Salvador, paralelamente à programação do III Mercado Cultural Latino-Americano.

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