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Sivuca (1980 – forro e frevo)


Depois de permanecer quase 15 anos no Exterior, especialmente nos EUA. Sivuca (Severino Dias de Oliveira), paraibano de Itabaiana, 50 anos (completados dia 26 de maio último), começa a reencontrar o seu justo espaço no Brasil. Acordeonista, pianista, compositor, Sivuca é um artista de imensos recursos, que encontrou em Glorinha Gadelha, não só a companhia ideal, mas também parcerias musical: nos últimos 2 anos, sua carreira teve um excelente pique, lotando teatros, emplacando sucessos como “João e Maria”, música de quase 30 anos passados, que agora com a poética letra de Chico Buarque, transformou-se em antólogia interpretação de Nara Leão.

Há 60 dias, a Copacabana lançou simultaneamente dois elepês, de Sivuca, buscando atingir faixas diferentes de públicos: “Cabelo de Milho” e “Forró e Frevo”. Apelido carinhoso que seus amigos lhe deram, “Cabelo de Milho” traz o Sivuca múltiplo, executando sanfona, piano elétrico, sintetizador, cravo, piano acústico, ovation e gaita de boca. E canta, ainda, dele e de Glorinha, “Te Pego na Mentira” e “Feira de Mangaio”, e com Paulinho Tapajós, “Mancho e Fêmea”, “Cabelo de Milho”, além do belíssimo “Estrela dos Guinais”, que Fagner já havia gravado – e foi uma das mais belas músicas do ano passado. Outra faixa antológica é “Estrela Guia” (parceria com Paulo Pinheiro, lançada por Clara Nunes), enquanto “Músicos e Poetas” e “Cada um torce como pode” completam o elepê. Já “Forró e Frevo”, como ele próprio define, é antes de mais nada “definição, evocação e vocação: definição porque mostra consistentemente a música de uma região carente de muita coisa, mas rica no seu conteúdo musical, cujo papel no resto do país é de quase predominância. Evocação porque me transporta retroativamente à infância e ao meu primeiro contacto com o profissionalismo musical e cujo reflexo está nas músicas ‘Fava de Cheiro’, ‘O Baile de Bio Laurinda’ e ‘Dançando em Pipirituba’, tendo ainda como complemento as músicas ‘Forró e Frevo’, ‘Queixo de Cobra’ e ‘Frevo Sanfonado’. Quanto à vocação, é a energia que continua dentro de nós num processo criativo que se reflete por exemplo nos frevos ‘Folião Ausente’ e ‘Gostosão’ (este de autoria de Nelson Ferreira, a quem eu devo ser chamado Sivuca)”.

As palavras de Sivuca, melhor do que qualquer outra adjetivação, definem a importância destes dois elepês. Indispensáveis a quem admira o trabalho de um grande músico brasileiro.

Aramis Millarch – 08/06/1980 – publicado originalmente no jornal Estado do Paraná

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