Arquivo da Categoria: Tiago Sá

Tiago Sá (2012 – Reação da Quimica)

Reação da alquimia é o álbum de estreia do músico, cantor e compositor brasiliense Tiago Sá, lançado independente pela Bolacha Discos em julho de 2012. Sem qualquer aviso, a primeira audição do disco traz a boa surpresa de uma seleção de pedras, canções sólidas com melodias suingadas em grooves mestiços e uma voz nova e marcante. Nas 10 faixas do trabalho, o autor apresenta um universo de personagens e paisagens urbanas, rurais e espaciais onde o índio, o negro, o branco e o extraterrestre surgem e se misturam, revisitando tradições através de um sincretismo musical e poético.

Gravado em quatro dias no estúdio Jimo no Rio de Janeiro em dezembro de 2011, abençoado com a produção musical de Lucas Santtana, que também tocou guitarra em todas as faixas do álbum juntamente com os músicos Marcelo Callado (bateria e percussão) e Ricardo Dias Gomes (baixo), integrantes da banda Do amor e Banda Cê de Caetano Veloso; o multi-instrumentista Lucas Vasconcellos (Letuce), o mestre percussionista Léo Leobons e o bruxo Buguinha Dub na gravação, mixagem “adubada” e masterização.

Nesses quatro dias de gravação, os músicos criaram coletivamente os arranjos, sob o olhar e a batuta do maestro Santtana, fazendo a fusão das influências em comum numa legítima alquimia musical para se chegar ao ouro metafísico do álbum. O dub, o rock, o afro, a psicodelia e principalmente a música brasileira em sua antropofagia, dão pistas da estrada de onde o compositor vem vindo. Indo mais além na busca do ouro transcendental, as letras sucintamente encantadas revelam a sublime alquimia da mente e do coração. Nas palavras de Lucas Santtana, as músicas de Tiago Sá “são mantras”.

O disco abre com a faixa REAÇÃO DA ALQUIMIA onde Tiago Sá pede licença literalmente e musicalmente, num groove espacial e pra frente ele revela a fórmula da sua condensação em metáforas garimpadas. A influência de Jorge Ben é totalmente atualizada ficando imperceptível aos ouvidos dos neófitos. Já em JORGE a sincera homenagem da modernidade ao mestre inspirador deixa mais clara a sua referência, que vem finalmente aparecer como um sambarock na brasileiríssima faixa SAMBA.

Em FILHA DE IEMANJÁ, o suingue do contratempo quebrando no começo da melodia de Tiago Sá encontra a guitarra dedilhada que Lucas Santtana foi buscar na jujumusic africana. A guitarra solo e o hammond psicodélico de Lucas Vasconcellos juntamente com a percussão de Léo Leobons trazem a influência afrobeat de uma forma revisitada e nordestina. A canção é mais um registro feliz do compositor em sua criatividade e concisão, captado telepaticamente na linha de baixo malandra de Ricardo Dias Gomes e no groove original e minimalista da bateria de Marcelo Callado.

Dáumload