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Totonho e os Cabra (2005 – Sabotador de Satélite)

capa2522Totonho não para quieto. Foiessa coceira que o tirou do interior da Paraíba e o levou para a capital, da banda de latas para a cooperativa de compositores. Totonho não pára quieto e não vai ficar esperando seus ouvidos encontrá-lo. Conheceu as beiradas do Brasil e os cantos do Rio de Janeiro até que parou. Não Totonho, mas seus trabalho. Parou nos ouvidos do produtor Carlos Eduardo Miranda e não saiu mais.

E Totonho ainda não parou. Essa parceria que gerou em 1999 o disco Totonho e os Cabra, acaba de render mais um excelente trabalho. O CD Sabotador de Satélite é uma obra que fantástica que se apropria da música folclórica brasileira e a retransforma, criando um batidão digital que emula os repentistas Paraibanos em uma festa tecnológica.

Mas se você pensa que a última grande agitação de Totonho foi seu excelente CD está enganado. Totonho inaugura uma nova fase da gravadora Trama. É que seu CD é o primeiro licenciado pela gravadora em Creative Commons. A Trama já havia iniciado um namoro com o CC utilizando as licenças no seu portal Trama Universitário. Namoro este que rendeu a tradução para português do livro Cultura Livre de Lawrence Lessig. Agora a gravadora abraça o projeto e inicia a utilização das licenças em suas músicas. E quem melhor do que Totonho para dar o ponta-pé inicial.

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Totonho e os Cabra (2002)

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Ainda que reivindique (justamente) sua individualidade no cenário da novíssima MPB, é difícil não associar de cara o trabalho do compositor Totonho à (r)evolução preconizada pelo manguebeat. Para ser mais correto, a música de Totonho leva adiante as idéias de Chico Science, com ênfase ainda maior na invencionice – e na vontade de contemporaneizar o sertão nordestino. Lançando mão generosamente da eletrônica, Totonho obtém um raro efeito de estranhamento no casamento da rusticidade de sua voz (aparentada à de Lenine) com os blips e blops sintetizados. É puro samba do paraíba doido, não raro desgovernado, mas que inevitavelmente impressiona pela vitalidade.Totonho desossa a tradição nordestina e obtém resultados interessantes em várias faixas. Soa desconstruído e esparso em Segura a Cabra/Romualdo e Zé Resteu (Medley); lança mão de cavaquinho e beats sampleados, colados com a metaleira do Funk Como Le Gusta em Tudo Pra Ser Feliz (que também demonstra um bom letrista); e capricha no groove, filtrado com sutileza, o que cai bem em Musicacubana. Ao recuperar o canto galopante/falado dos repentistas, ataca de forró + eletrônica (Drum’n’bass na Feira) e electro-funk caatingueiro (Babaovomidi). E chega até – no momento mais radical – a misturar hardcore, techno e frevo em Zélimeiriana. Tudo isso fica, em vários momentos, à beira da indigestão. Mas o paraibano acerta ao optar pelo excesso (e não pela escassez) de idéias.Em meio a tantas referências quase desconexas, Totonho também espanta pelo caminho inverso, o da simplicidade. Ele revela-se um melodista capaz de belas surpresas: Nhém Nhém Nhém, com arranjo mais ortodoxo, é um achado de balanço suave; assim como a lírica Glaciais, só teve a ganhar com sua instrumentação econômica e delicada. Há também espaço para a harmonia manhosa de A Vítima, onde mais uma vez é possível ouvir a influência de Lenine. (Marco Antonio Barbosa)

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