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Radiola Serra Alta (2015 – Computador de Ciço)

capa computador de ciçoA cidade pernambucana de Triunfo preza pela singularidade de seu clima

ameno, suas tradições, sua magia e poesia, o mistério de suas ladeiras. Em meio a esse terreno fértil surge o Radiola Serra Alta, dupla eletrônica que promove um diálogo entre a cultura popular e as novas tecnologias, entre a tradição e as novas ferramentas digitais de produção musical. Trajados de figuras tradicionais do Carnaval triunfense, a Veinha e o Careta, a dupla preserva suas identidades em sigilo, seguindo a tradição secular: são os brincantes eletrônicos do Alto Sertão do Pajeú. Em seu primeiro disco, Computador de Ciço, a dupla eletrônica catalisa elementos da cultura popular nordestina como o coco de roda, trupé, aboio, forró e os reprocessam em batidas do dub, jungle e drum and bass, ou como a dupla mesmo intitula, “um eletrococo muderno”. Produzido por Chico Correa, o disco é resultado mais de 3 anos de experimentos sonoros executados pela dupla em palcos, levados ao estúdio com a preocupação de preservar o calor e energia das performances ao vivo: música eletrônica com sotaque nordestino, pulsante e visceral.

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Dirimbó (2015 – EP)

CAPA

Grupo de carimbó contemporâneo, nascido no Recife, apresenta seu primeiro trabalho com quatro faixas autorais

Recebam este swing! A banda Dirimbó, grupo de carimbó contemporâneo do Recife, apresenta ao público seu primeiro EP com quatro faixas autorais: ‘Selfie’, ‘A Noite é Minha’, ‘Cacarimbó’ e ‘Cabousse’ formam o repertório deste trabalho, cujo processo de produção fonográfica, conceitual e musical foi realizado de forma independente e com recursos da própria banda. O EP encontra-se disponível para download neste link, além de audição no Soundcloud e Youtube. Até o final de novembro também estará disponível no Rdio, Deezer e Spotfy.

O conceito do EP seguiu à risca a pegada da Dirimbó, altamente inspirada nas guitarradas e marcações de pulso bem acentuadas, típicas do carimbó nascido no Pará. As letras seguem a mesma linha, seja na irreverência e bom humor como na faixa ‘Selfie’, ou na dor de cotovelo de amor mal resolvido da ‘Cabousse’. A guitarrada em ‘Cacarimbó’ é daquelas que obriga a pessoa a dar uma dançadinha, nem que seja sozinho, enquanto que ‘A Noite é Minha’ narra aquela paixão gostosa de se sentir.

As gravações das faixas deste EP começaram em julho deste ano e foram realizadas em vários espaços, como os estúdios da Faculdade AESO – Barros de Melo e a residência de alguns integrantes, localizadas em Aldeia e Itamaracá. Todo o processo de gravação e masterização do EP foi acompanhado pelo técnico de som Vinicius Barros. A mixagem foi feita pelo próprio baterista do grupo e também técnico de som, Alberto Ramsés.

Soma-se a este trabalho o apoio fundamental de alguns parceiros como a já citada Faculdade AESO – Barros de Melo, o guitarrista Félix Robatto, do Pará, entre outros amigos e colaboradores, como a designer Rayana Viana, que desenvolveu a arte da capa do EP, o DJ Bibiu do Pará, que estimulou a formação da banda desde o início, e Zé Gleisson e Camila Leal, que compuseram algumas das canções do disco.

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Abeokuta (2015 – EP ‘Agô’)

CapaInspirada no afrobeat criado pelo lendário multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti, a banda Abeokuta, nascida no Recife, lança seu primeiro EP de trabalho, intitulado ‘Agô’. O lançamento aconteceu neste último sábado (17), durante a terceira edição do Fela Day Pernambuco, festa mundial em homenagem ao eterno Black President. O álbum ‘Agô’ já pode ser ouvido pelos amantes do afrobeat nas principais plataformas de audição da internet (Deezer, Spotfly, Rdio e Soundclound), e também está disponível para download no site da banda (www.abeokuta.com.br).

A Abeokuta, cujo nome é inspirado na cidade natal de Fela Kuti, é uma das principais bandas do gênero do Nordeste. A banda vivência na prática a atuação de um grupo independente, e este processo ficou evidente durante a produção de ‘Agô’. A ideia, que começou a tomar corpo em março deste ano, surgiu após o retorno do público durante uma festa que a Abeokuta realizou nos últimos dias do Carnaval. “A resposta positiva e vibrante da galera nos mostrou que era necessário dar um passo adiante e materializar aquela energia empenhada nos shows num registro definitivo”, explica Jedson Nobre, baixista e fundador do grupo.

Todo o processo de gravação e mixagem de ‘Agô’ foi realizado no Estúdio Fábrica, com a ajuda do técnico Marcílio Moura, que entendeu a proposta do som e conseguiu transportar as ideias da Abeokuta para o resultado final. O disco conta com quatro faixas (cantadas em iorubá, português e inglês), cujos títulos são: ‘Agó’, ‘Mr. Job’, ‘Lessimí’ e ‘Orunmilá’. A arte da capa do EP inspiração foi nos grafismos africanos e numa tipografia inspirada na cultura nigeriana.

‘Agô’ é uma palavra do idioma iorubá e é usada na anunciação da chegada ou saída em uma casa, espaço público, espaços litúrgicos ou do convívio com um grupo de pessoas. Neste sentido, a Abeokuta anuncia seu primeiro registro sonoro que em bom português poderia ser dito: “Tô chegando”. É a Abeokuta anunciando sua chegada.

O EP será disponibilizado gratuitamente para download no site da banda, além de plataformas de streaming diversas como Spotify, Dezeer, Radio e Youtube. “Queremos que esse trabalho chegue aos mais diversos ouvidos e achamos que essa é a melhor maneira de apresentar nossa música pra o mais abrangente público possível”, comenta o baixista da Abeokuta.

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Karina Buhr (2015 – Selvática)

capa selvática

A cantora e compositora Karina Buhr começou na música em 1992 nos maracatus Piaba de Ouro e Estrela Brilhante do Recife. De lá pra cá integrou a banda Eddie, formou a banda Comadre Fulozinha, tocou e fez participações em discos do Mundo Livre S/A, DJ Dolores, Antônio Nóbrega, Erasto Vasconcelos, Mestre Ambrósio, Cidadão Instigado, Bonsucesso Samba Clube, Véio Mangaba e suas Pastoras Endiabradas, bandinha de pífanos Zabumba Véia do Badalo, Bárbara Eugênia, Marina Lima, Anelis Assumpção e muitos outros. Foram inúmeras as participações em trilhas sonoras de filmes, peças de teatro e dança.

No ano 2000 passa a integrar o Teatro Oficina, onde também foi atriz, a partir convite de Zé Celso Martinez pra fazer a peça Bacantes. De 2003 a 2007 participou da montagem completa de Os Sertões, com temporadas em São Paulo, gravou Bacantes e as 5 peças de Os Sertões em DVD e participou de turnê por Berlim, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Quixeramobim e Canudos.

Em 2010 lançou o primeiro disco solo “Eu Menti pra Você”. Eleita artista do ano, pela APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), figurou entre os “Top 10″ disco e músicas, da revista Rolling Stone. Tocou na Womex, importante feira mundial de música independente, em Copenhague.

Foi contemplada pelo edital Natura Musical, para gravação do segundo disco e turnê, indicada a “artista revelação” do ano no VMB e “melhor cantora” no Prêmio Música Digital. Ainda em 2010 participou do lançamento da Caixa Preta de Itamar Assumpção, com o show do disco “Intercontinental”, com participações de Elke Maravilha e Denise Assunção.

Em novembro de 2011 veio o disco “Longe de Onde”, também recebido com grande entusiasmo por público e crítica. Foi apresentada na MTV americana, como “uma Patti Smith com olhos pintados e um monte de cultura brasileira a seu dispor”. Pelo segundo ano consecutivo, entra nos “Top 10″ discos lançados da revista Rolling Stone. No mesmo ano se apresentou no lendário festival Roskilde, na Dinamarca.

Em 2012 foi indicada ao VMB nas categorias “melhor disco”, “melhor música” e “melhor artista feminino”. No 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, ganhou o prêmio de melhor trilha sonora, com Tomaz Alves Souza, pelo filme “Era uma vez eu, Verônica”, de Marcelo Gomes e foi finalista do Prêmio Bravo, entre os 3 melhores shows brasileiros, ao lado de Gal Costa e Marisa Monte. Ainda em 2012, estreou coluna mensal, com texto e ilustração, na Revista da Cultura, publicação da Livraria Cultura, onde também lançou, em 2013, uma coleção de cadernos, com capas com ilustrações suas. No mesmo ano passou a ter a coleção em vidro e porcelana com suas ilustrações na loja do Museu do Inhotim, Minas Gerais.

Estreou o show “Secos e Molhados”, com repertório do álbum homônimo de 1973, participou do projeto Goma Laca, em São Paulo, dirigido por Letieres Leite e Pipoca Moderna, em Salvador, ao lado de Márcia Castro, Baby do Brasil e Gaby Amarantos.

Em 2014 lançou a versão anual da revista Sexo Ágil, com seus textos e ilustrações, estreou o blog Pane no Pântano, na revista Carta Capital, participa da bancada do Programa Piloto, da TV Carta, ao lado de Leonardo Sakamoto, PC Siqueira e Ferréz.

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DJ 440 (2011 – Nordeste Independente)

capa
DJ 440, um dos DJs mais atuantes do Estado de Pernambuco está de volta e apresenta “Nordeste Independente”, um mixtape que passeia por diversas vertentes da música nordestina através de artistas, em sua maioria não tão conhecidos do grande público. A idéia é mostrar a riqueza e a peculiaridade dos ritmos do nordeste do Brasil, com um pé no passado, relembrando grandes mestres como Jackson do Pandeiro e Luís Gonzaga, e outro pé no futuro, mostrando um pouco da produção atual, apresentando novas bandas, a exemplo do Quarteto Olinda, Maciel Salú e Alessandra Leão.

Nordeste Independente mostra um pouco da riqueza e a peculiaridade dessa região do Brasil , sob a visão do DJ, que mais uma vez se reinventa e apresenta uma dançante sequência de ritmos.

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Alessandra Leão (2015 – Aço EP)

capa-rgb-logo2-1024x1024Aço por Chico César

Neste ‘Aço”, todas as canções (cinco) remetem ao corpo vivo que recusa a condição de robô e se rebela pela dança reivindicando sua materialidade e animalidade. Um corpo-limite, reduto do indivíduo e sua autonomia de quem lava o corpo de lã e corre com pata de bicho e nada até “estancar o ar”. Aí em companhia de Dona Odete de Pilar, cirandeira paraibana. A presença de elementos da cultura popular nada traz de ‘folclore’, nada tem de ‘naif’. Sem ingenuidade, é manifestação de autoreconhecimento no território seu, de pertencimento mas não de aprisionamento. É estímulo ao voo e negação de gaiola.

Esse corpo de lã de aço e subjetividade escrevendo-se no espaço mundo espicha-se, desdobra-se, revoluteia, prolonga. Na própria sombra. O que não sou eu ainda é impressão minha a dançar comigo e apesar de mim: a sombra, minha sombra. Assombra-me e ao outro. Esse que me segue ou a mim se antecipa sou eu, no corpo ou no pensamento, no gesto, no sentimento. É, sou.

Cavalo de si mesma, Lady Alê é ela mesma cavaleira que reivindica sua condição de mensagem e mensageira. Sem intermediários. E assim se transporta, se carrega explicitamente sem sela em “Acesa”. Fortíssima ainda a metáfora da Godiva metamorfoseada (ou metaformoseada?) em Ícaro noturno, centauro lunar. Fortíssima e bela.

Ao fim, que sugere imediato recomeço, o vertiginoso “Mergulho” na quebrada das ondas onde nem sereia nadava. Território do improvável só acessível a quem se atira no abismo. A quem se abisma, cisma de ser si mesmo e desamarra o pano que amarra a idéia. Um desatar-se, um autoderramamento. Cada tropeçar, cada levantar aí torna-se passo de dança que as guitarras cigarras acompanham em voo livre…

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